Cronologia e Fatos Interessantes de Tururu:

  1. O “Rio Mundahú” era a linha divisória entre os termos de Sobral e Fortaleza, em que se dividia a única Comarca, que era então a Capitania do Ceará Grande.
  2. João Escóssio Drumond, morava no “Sítio Caxoeira”, que comprara por 120$000 reis, a Gonçalo Mendes do Nascimento e sua mulher Josefa da Costa Lira, conforme escritura de 15/10/1803; este sítio que se localiza na “falda norte da Serra do Pau-Alto”, tinha meia légua de terras para fora do “Riacho Severino”, extremando com Francisco Telles de Menezes, seu sogro; e para “riba” com Félix Tinoco dos Reis, pelo dito Riacho Severino.
  3. Félix Tinoco dos Reis, que era um dos proprietários do “Sítio Severino”, era casado com Maria Bezerra de Menezes. Ele natural de Recife e ela do Ceará. Eram seus filhos: Pedro Tinoco, casado com Maria Madalena; e Mariana dos Reis, casada com Gregório Francisco de Freitas, filho de Bento de Freitas Rabelo, natural de Braga e Elena Maria de Jesus.
  4. De Mariana dos Reis e Gregório Francisco de Freitas, eram filhos: Bartholomeu Bezerra de Menezes, que casou em outubro de 1817, com Maria Francisca da Conceição, viúva de Antonio Moreira do Nascimento; e Alexandre Francisco de Freitas, que casou, em maio de 1834, com Veronica Maria de Santana, filha de João Escossio Drumond e Quiteria Maria de Nazareth. Destes são os Freitas do “Tururú”, entrelaçados com Moreiras, das Melancias, Pachecos e Acácios de Menezes.
  5. Em 04/04/1877, registra-se notícia de Imperatriz (Município de Itapipoca), à terrível calamidade do referido ano, ou seja, mais uma grande seca! Justamente no centenários de uma das mais conhecidas e piores já registradas na História: “A Seca de 1777”. Foi relatada a passagem de retirantes, os quais levavam poucas “coisas e enxadas”, assim como, foi observado que pequenas populações, como a de “Tururú”, clamavam diariamente pelo “socorro da providência” e já conviviam com o cortejo da fome.
  6. Através do Deputado da Assembleia Provincial do Ceará, Francisco Theotime Maria de Vasconcelos (Padre Theotime), natural de Santana do Acaraú, o qual foi eleito como Deputado mais votado do 3º Distrito (Acarahú, Marco, Sant’Anna, Tucunduba, Palma, Sobral, Meruoca, S. Antonio, S. Quitéria e Tamboril), na Eleição de 1883, à Assembleia Provincial do Ceará; onde em seguida foi eleito à Comissão de Estatística, Divisão Civil, Judiciária e Eclesiástica, que por sua vez apresentou e justificou à mesa, em 15/07/1884, o Projeto de nº 20: “Art. 1º. O lugar Tururú fica desde já pertencente ao districto do Arraial, município da Imperatriz; Art. 2º. Revogam-se as disposições em contrário”. Em 29/07/1884, o referido Projeto foi lido e posto em discussão, o qual foi aprovado e disponibilizado para Sanção; onde em 02/08/1884, foi sancionada a Lei de nº 2.070, pelo Presidente da Província do Ceará, o Juiz de Direito, o Sr. Carlos Honório Benedicto Ottoni.
  7. Em 25/09/1889, o Vigário Antero José de Lima (Padre Antero) relata a Estrada (Ramal) que partia de “Imperatriz” (Município de Itapipoca) até o entrocamento em “Natividade/Riacho da Sella” (Município de Umirim), que se interligava com a Estrada que vinha da Capital para São Francisco (Município de Itapajé). O referido Ramal tinha uma extensão de 36 quilômetros e 450 metros, com 8 metros de largura, destacando os seguintes trabalhos “d’arte”: “8 pontes e postilhões; 14 boeiros e grandes aterros, que se podem calcular em 23 mil metros cúbicos de terra, sendo alguns desses aterros aproveitados para servir de barragem a pequenos açudes, que trarão vantagens futuras; e assim encontram-se no percurso da estrada os seguintes – 1 em S. Jeronymo, 1 no Julio, 1 em S. Paulo, 1 no Cedro, 1 no Tururú, sendo este o de maior proporção, por ter por bacia uma ‘Grande Lagôa’, e no subúrbio do pequeno e pitoresco povoado, do mesmo nome”. Relata-se ao final das palavras do Padre Antero, a Nossa Histórica “Lagoa do Felipe”
  8. Em um Ato, de 17/05/1892, criou-se um Distrito Policial, no lugar “Tururú”, com os seguintes limites: “a partir da Fazenda Boqueirão, inclusive ao Serrote Mundo Novo, deste a ponta da Serra (essa de Antonio Escossio), deste ao Sítio Cachoeira, até os limites do município de S. Francisco, seguindo até a Fazenda Boqueirão”. Neste mesmo Ato foi nomeado o cidadão Agostinho Escossio Drumond, para o cargo de “subdelegado de polícia do Distrito de Tururú“. É importante informar, que de acordo com dados do IBGE (2018), esta data corresponde também à data de criação do Distrito de “Tururú”, que ficou “subordinado ao município de São João de Uruburetama”.
  9. Através da Lei Estadual de nº 423, de 29/09/1897, o Município de Itapipoca passou a se limitar com o Município do Arraial, da seguinte forma: “da Pedra Pelada que pertence a Itapipoca, á estrada que desta villa segue para o Arraial; dahi em direção ao riacho Severino, e por este abaixo até a estrada de rodagem que vai ter á capital, seguindo-se pela mesma estrada até o rio Mundahú, e por este acima até a estrada que liga o Arraial ao Tururú, donde em rumo direito ao nascente á serra Água Preta, passando pela Lagoa do Felippe, que pertencem a Itapipoca, seguindo pelo cume da referida serra ás cachoeiras do riacho Trahiry e por este abaixo a encontrar os limites do município do Trahiry”.
  10. Em 1938, a obra de Oliverio M. de Oliveira Pinto (Catálogo de Aves do Brasil – Revista do Museu Paulista – p. 57), define o topônimo de “Tururú” como “Nomonyx dominicus (Linnaeus) [XXVII, p. 43SJ]”, ou ainda, “Marrequinha, Patury, Can-can, Tururú (Ceará)”. Essa definição está alinhada com a que se encontra registrada até hoje pelo IBGE (2018): “Ave da família dos anatídeos”.
  11. Em 1957, o Professor Romão Filgueira Sampaio, natural do Crato, em uma de suas publicações ao Jornal “O Nordeste”, ele associou “Tururu” à toponímia “Turu-Turu”.
  12. Através da Lei Estadual de nº 6.383, de 04/07/1963, Tururu é elevado à categoria de Município, constituído apenas do Distrito Tururu (Sede), desmembrando-se do Município de Uruburetama.
  13. Pela Lei Estadual de nº 8.339, de 14/12/1965, o Município de Tururu é extinto, sendo seu território anexado novamente como Distrito do Município de Uruburetama.
  14. Foi elevado novamente à categoria de Município, pela Lei Estadual d nº 11.334, de 19/06/1987, desmembrando-se mais uma vez do Município de Uruburetama. Neste caso, constituído de dois Distritos: Tururu (Sede) e Cemoaba, ambos desmembrados de Uruburetama.
  15. Em 01/01/1989, o Município de Tururu foi instalado, através da posse do primeiro mandato do Poder Executivo e Legislativo.
  16. Através da Lei Municipal de nº 43, de 26/03/1990, criou-se o Distrito de Conceição (dos Caetanos); onde em Divisão Territorial de 1991, o Município passou a ser constituído de 3 Distritos: Tururu (Sede), Cemoaba e Conceição (dos Caetanos).
  17. Em advento à Lei Municipal de nº 16, de 09/10/2001, criou-se Distrito de São Pedro do Gavião; onde em Divisão Territorial de 2005 (até o presente momento), o Município passou a ser constituído de 4 Distritos: Tururu (Sede), Cemoaba, Conceição (dos Caetanos) e São Pedro do Gavião.
  18. Desde a sua instalação, o Poder Executivo do Município de Tururu já foi governado por 6 (seis) Prefeitos: Pedro Domingos de Sousa; Abner Porfírio Sampaio; José Galdino Albuquerque; João Moreira Mendonça; Raimundo Nonato Barroso Bonfim e Francisco Antônio Cidrão Moraes.
  19. Atualmente, o Município de Tururu tem à frente do Poder Executivo, a Excelentíssima Prefeita, a Sra. Maria de Fátima Galdino Albuquerque, a qual foi eleita em outubro de 2016.

Estas e outras informações estarão presentes no Livro: A História de Tururu (SAMPAIO, Abner Porfírio (in memoriam) e SOARES, José Vádinei), com as devidas referências bibliográficas.

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No tempo em que: Tururu não era “Caracol” e Água Preta não era “Águas Pretas”

Ainda sou “daquela época”… em que tive o prazer de conhecer e conviver com o Sr. Chico Pedrote na minha casa, como um pai… da época em que o Sr. João Patrício era comerciante e que ensinava eu e meu amigo Arlando a se aventurar com uma “espingarda de chubim”… da época do Sr. “Nêgo Pedrote”, Sr. “Zé Baxim”, Sr. “Zé da Luz”, Tarcísio, Pedro Furtuoso, Sr. Pedro Virgínio e do Sr. Pedro Santana, onde passavam algum tempo das suas vidas na Bodega do Sr. João Batista (meu Pai), em que eu ouvia grandes histórias, desses grandes habitantes do nosso Município, assim como, de outros: Padre Arnaldo, Dona Diarina e Grislédia (vizinhas e pessoas bastante especiais na minha vida pessoal e profissional), Sr. “Belo” (ferreiro), Dona “Mundica” (minha vizinha e educadora), Dona “Laís Farias” (uma grande educadora do nosso Município, sendo a sua casa, um dos primeiros locais onde na época conseguíamos algumas histórias/livros emprestados, tarefas bíblicas, etc., ou seja, a nossa primeira biblioteca compartilhada de Tururu), Sr. “Pedro da Rua” (ex-prefeito), Sr. Pedro Leitão, Dona “Piroca” (primeira televisão pública, de fato, do Município), Dona Ermita Chaves, todo(a)s gravado(a)s na História de Tururu, bem como, Maria Ramos, Sr. Abner (ex-prefeito), José Bastos (meu Avô) e Sr. Pedro Batista, como tantos outros em que conheceram a nossa Lagoa do Felipe como ponto turístico, de encontro dos casais e por onde passava a antiga estrada com destino à comunidade quilombola de Água Preta, Mundo Novo, Fortaleza, etc., (como relatou minha Mãe, Dona Rita). Vale lembrar que nessa mesma Lagoa, antigamente linda e “animada”, foi onde nasceu o topônimo de Tururu/CE, devidamente mantido pelo IBGE (Informações de Tururu/CE – Site do IBGE). Hoje, infelizmente a nossa Lagoa do Felipe não está mais linda e nem animada, os passeios acabaram, assim como os banhos e as pescarias (onde grande parte do dia eu passava com os amigos tentando pegar os bons e velhos “caícos” e depois íamos comê-los torrados na casa da Dona “Mocinha”, da Dona Marlene, Dona Cícera, na minha casa, etc., (não tínhamos nem que se preocupar com as espinhas)! Sua conservação e preservação foram esquecidas, competições esportivas lembradas, porém não mais vividas.

Vivo atualmente em um Tururu muito diferente, com o topônimo de “Terra dos Caracóis”, ou mesmo, “Terra dos Sururus” (Sururu – Site Wikipédia)… em poucos anos, jogamos vários outros anos de história ao chão. A origem do nome “Tururu” não mais veio de uma ave, do cântico da mesma, da Lagoa, do paturi, tupi-guarani, Dicionário Aurélio, dos anatídeos (Anatideos – Site Wikipédia), etc., assim como, de forma muito estranha a nossa Comunidade Quilombola de Água Preta, que continuou no mesmo local geográfico, usando a velha estrada como meio de acesso, passou-se a ser referenciada por “Águas Pretas”, após é claro conseguirem a façanha de dividir a água (líquido)… pior ainda… conseguiram contar elementos indivisíveis (Singular ou Plural – Site UOL Educação). Vivemos atualmente em um Município que possui conflitos de origens, mas não para mim e nem para os mesmos da minha época, que são detentores e reconhecedores de suas origens!

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